No entanto, este é um processo desafiante. A multiplicidade de efeitos é enorme, merecendo consideração tanto riscos de transição, como físicos. Se no primeiro grupo surgem questões legais e regulamentares emergentes, tecnologias inovadoras e disruptivas, transformações económicas e dos mercados financeiros e aspetos reputacionais, no segundo, é crucial analisar os efeitos que os eventos climatéricos extremos e as transformações crónicas dos ecossistemas podem representar nos modelos de negócio. A somar a esta complexidade, teremos ainda de equacionar como é que estes temas se refletem na cadeia de valor, quer a montante quer a jusante das operações próprias.
Tendo em consideração a elevada interdependência entre todas estas variáveis, é também fundamental perceber-se como a severidade e probabilidade de ocorrência destes riscos, pode variar em função dos vários cenários de evolução climática. Existem, hoje em dia, bases de dados alavancadas em modelos climáticos revistos cientificamente, que permitem visualizar probabilidades de ocorrência de fenómenos climáticos (sejam períodos de seca, inundações ou outros) associados aos diferentes cenários de evolução da temperatura terrestre e que devem alimentar os modelos de avaliação, quantificação de riscos e planos de mitigação e adaptação das organizações, juntando a visão de negócio à ciência de forma pragmática.
A verdade é que existem também múltiplas vantagens nesta transição, a serem capitalizadas pelas empresas. A aposta em sistemas de autoprodução de energia renovável apresenta retornos de investimento notáveis, gerando fortes ganhos ambientais e económicos. O investimento em medidas de descarbonização dos processos internos está, muitas vezes, correlacionado com ganhos de eficiência assinaláveis nos modelos produtivos. A priorização de matérias-primas com emissões de gases com efeito de estufa, potencia a criação de produtos diferenciados, de alto valor acrescentado e com grande procura. A indexação de empréstimos financeiros ao desempenho ambiental possibilita, em determinados casos, bonificações nas taxas de juro. O estabelecimento de metas e a materialização de ações concretas de mitigação e adaptação climática, traduzem-se em ganhos reputacionais junto dos clientes e parceiros comerciais. A internalização deste risco nos processos permite uma melhor tomada de decisão (em particular nas decisões de investimento a longo prazo). Enfim… existe uma infinidade de áreas passíveis de serem seguidas pelas Organizações e capazes de gerar, não só impacto climático positivo, como fortes ganhos económicos e sociais.